A distância, o amor à distância.
Se é possível? Bom para mim tem sido uma realidade bem possível.
Fácil? Não, mas o que é fácil num relacionamento?
Eu mesmo assim sou a sortuda que estou só a uma hora e meia, uma chamada, uma mensagem, daqueles que me preenchem o coração.
Mas e na era do romantismo puro, em que o amor e a saudade transbordavam nas cartas que os nossos avós e o resto de antepassados, enviavam pelas mais variadas razões? E as mães e esposas que com os olhos inundados de angústia, acenam aos seus homens que vão para fora a lutar pela vida o nosso país não pode dar? Ou os filhos que crescem com os pais mesmo que com oceano a separá-los? Ou aquele amigo que está mais longe do que gostávamos que estivesse?
Pelas mais variadas razões estas pessoas, que são tantas, não estão apenas a uma hora e meia, nem mensagem ou chamada de distância.
Seja pela falta de meios para viajar, pelo fuso horário que troca as mensagens às horas erradas, ou pelas chamadas que tendem a cair.
Esta é toda uma realidade bem maior.
Mas num namoro, em que o contacto, o diálogo, o tacto, os olhares são formas indespensáveis de conhecer o outro. E são os grandes oceanos que separam duas pessoas apaixonadas.
Claro que comparando com todas as outras histórias reais que falei, alguns quilómetros entre jovens adultos parece algo insignificante.
Mas não é. Porque existe sempre o mesmo factor. A porcaria da distância. Seja ela 10 ou 10000 km. Ela separa corpos. Mas nunca corações.

